Pai do estruturalismo, antropólogo, filósofo e etnólogo, o autor de “Tristes Trópicos” iria completar 101 anos no dia 28 de novembro. Ele faleceu na noite do dia 31 de outubro, em Paris. Nascido na Bélgica, numa famÃlia judia francesa intelectual, Lévi-Strauss estudou Direito e Filosofia na Sorbonne, em Paris. Nacionalizado francês, lecionou sociologia na Universidade de São Paulo nos anos 30 e fez várias viagens ao Brasil central para realizar seus primeiros estudos de etnologia entre populações indÃgenas, trabalho que desenvolveu ao longo da vida e que o transformou num clássico obrigatório das ciências humanas.
Lévi-Strauss passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos Ãndios americanos. O método utilizado para estudar a organização social das tribos é chamado de
estruturalismo. O estruturalismo identifica códigos de comportamento que são cruciais para o funcionamento de qualquer sociedade e parte da mente humana.
Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguÃsticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente
humana trabalha.
Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias cientÃficas, em especial européias e norte-americanas. Foi doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns
Hopkins e Columbia, entre outras.
Aos 97 anos, em 2005, recebeu o XVIIo Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: “Fico emocionado,
porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de
jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que sempre deverÃamos ter presente“.
Três grandes temas são considerados seus trabalhos mais relevantes: a teoria das estruturas elementares do parentesco, os processos mentais do conhecimento humano e a estrutura dos mitos.
Em abril deste ano suas obras foram publicadas na famosa coleção La Pléiade, da editora Gallimard.
Fonte de pesquisa:
Jornal O Globo
Portal Uol
Jornal Le Monde
Revista L’Express
Bernard Kouchner, ministro dos Assuntos Exteriores francês: “A França perde um de seus intelectuais mais remarcáveis e reconhecidos no mundo. Sua obra, por sua abrangência e profundidade, continuará a alimentar a reflexão de todos aqueles que buscam melhor compreender as sociedades humanas.”
Jean D’Ormesson, acadêmico e escritor: “Era o grande sábio francês ainda vivo. (…) Ele transformou a etnologia. Mudou o olhar que temos da sociedade (…) Ele era não apenas um dos mestre de sua área, mas tinha também uma cultura literária absolutamente extraordinária.”
Max Gallo, historiador: “Ele era um dos monumentos do pensamento francês do século 20. Tentou, a partir de um estudo de campo minucioso (…), compreender como
funcionavam as sociedades. (…) Criando modos de pensamento, ele tentou compreender como funcionavam as crenças. Ele criou um sistema e possibilitou a descoberta de estruturas nas sociedades”.
28 de novembro de 1908: Nascimento em Bruxelas.
1935: Viagem ao Brasil e primeiros trabalhos com os povos indÃgenas.
1949: Publicação de Structures élémentaires de la parenté (PUF).
1952: Publicação de Race et Histoire (Unesco).
1955: Publicação de Tristes Tropiques (Plon).
1959: Professor honorário no Collège de France (Cadeira de antropologia social).
1962: Publicação de La Pensée sauvage (Plon).
1964: Publicação do primeiro tomo de Mythologiques : Le Cru et le cuit (Plon).
1973: Entrada na Academia Francesa.
30 de outubro 2009: Falecimento.
Para saber mais sobre o autor, clique em:
L’Express, Le Monde e Academia Francesa.
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