A Mediateca da Maison de France oferece nesse espaço, atualizado regularmente, as novidades do mês que mais chamaram a atenção da equipe.
Outras novidades podem ser encontradas acessando o acervo online da Mediateca.

Não resta dúvida de que estamos vivendo em um mundo cuja arena internacional encontra-se em um processo de mutação cada vez mais acelerado. As mudanças sistêmicas que testemunhamos na geopolítica internacional, especialmente a partir da segunda metade do século XX são surpreendentes e fazem parte do objeto de estudo de inúmeros pensadores dos mais diversos campos das ciências humanas e sociais, dentre as quais destacam-se a história, a ciência política e a soiologia. Neste último caso, percebemos, especialmente a partir da década de 1980 uma especial contribuição do pensamento sociológico no estudo das relações internacionais e do sistema internacional. É precisamente nesta esfera que a obra de três sociólogos franceses se insere. Dominique Martin, Jean-Luc Metzger e Philippe Pierre escreveram juntos a obra Le Métamorphoses du Monde. Sociologie de la Mondialisation, editado pela Seuil em 2003 e que faz parte do acervo da Mediateca da Maison de France.
O livro busca compreender o fenômeno da globalização, ou mundialização como a intelectualidade francesa prefere denominar, a partir de suas nuances políticas, econômicas, sociais e culturais. Neste sentido os autores recebem de bom grado as contribuições de outros ramos do saber para a construção de uma leitura crítica dos primeiros 20 anos do pós-guerra fria. Trata-se ao mesmo tempo de um estudo científico, ensaio engajado e síntese pedagógica dos principais debates a cerca dos processos de globalização, tema tão fundamental no meio acadêmico, mas que também desperta um interesse crescente na opinião pública em geral. Mais uma obra imperdível que você pode encontrar em nossa Mediateca.
André Sena
(responsável pela área de
História e Relações Internacionais
da Mediateca)

A filosofia seria apenas uma doutrina? Ou ainda, um simples conjunto de opiniões? Para Françoise Raffin, ela é, antes de tudo, um caminho de aproximação e de problematização do real. Por meio de uma linguagem clara e acessível, este livro destaca a importância das distinções conceituais e mostra como a experiência provoca a interrogação, abrindo questões para a reflexão humana. Por meio de grandes textos filosóficos da tradição e da modernidade, a autora esclarece conceitos de forma a exercitar o espírito crítico do leitor, propondo também temas para reflexão. Dessa maneira, une a análise de diferentes noções filosóficas para pensar no presente.

Qual o lugar da África nas relações internacionais? De que forma este continente se relaciona com o resto do mundo? A África continua à margem do sistema internacional ou é uma região emergente em vias de transformação? Este livro introduz o leitor ao mundo africano, enfatizando a multiplicidade de espaços, povos e costumes africanos. Também discute formas de colonialismo e põe em perspectiva a função da comunidade internacional na vida da África.

Mundialização ou globalização? São termos distintos ou apenas designações diferentes para um mesmo fenômeno? Para Jean-Pierre Paulet, a mundialização é o ponto de chegada de um longo processo – internacionalização, transnacionalização, globalização. Este livro discute questões centrais para pensarmos o mundo atual – a evolução em curso não marca o fim de uma pré-hsitória do mundo? Como se produz essa transformação, quais as suas origens e suas tendências? Quais as fontes de inquietação? O autor procura refletir sobre o futuro dos Estados, das regiões e dos microespaços em que vivemos.

De leitura fácil e envolvente, Philippe Grimbert, escritor e psicólogo, conta neste livro sua própria história, ou melhor, a história de sua família e de um forte e arrebatador segredo. História trágica que o leva aos tempos do Holocausto, e de milhares de desaparecidos. Com rigor e emoção, amor e ódio, Grimbert demostra neste livro como os poderes da ficção podem explorar o que há de mais profundo nos territórios secretos da infância. Imperdível.
Philipe Grimbert é também autor de La Fille de l’être (1998) e do adorável La Petite Robe de Paul (2001). Com Un Secret ele ganhou os prêmios Goncourt des Lycéens (2004), Lectrices de Elle (2005) e Wizo (2005). Em 2007 o livro Un secret foi adaptado para o cinema pelo cineasta Claude Miller, com os atores Cécile de France, Patrick Bruel, Ludivine Sagnier, Julie Depardieu e Mathieu Amalric.
Alessandra Santos
(responsável pela área de Romance -
policial e ficção científica – da Mediateca)

Aproveitando o momento da peça em cartaz no Teatro da Maison de France O Diário de Anne Frank, a Mediateca da Maison de France apresenta em seu acervo a obra recente do historiador israelense Yehuda Bauer Repenser l’Holocauste, publicada pela editora Autrement e que propõe um novo mergulho investigativo sobre a questão genocidária, especialmente sobre a questão da Shoah, ocorrida em meados do século XX durante a Segunda Guerra Mundial.
Como definir e explicar o Holocausto? Pode-se compará-lo a outras formas de genocídio? Essas são duas do riquíssimo conjunto de indagações que Bauer, da Universidade Hebraica de Jerusalém procura responder neste livro. Engana-se quem pensar que se trata de uma obra por demais especializada. A tragédia dos genocídios, que ainda hoje ameaça o sistema internacional como é o caso do Darfur, no Sudão, constitui um tema de valiosa importância na compreensão das dinâmicas complexas e muitas vezes perplexas do mundo (ou seria dos mundos?) em que vivemos.
Repenser l’Holocauste parece ser um dos caminhos para uma reflexão bem fundamentada acerca deste tema.
André Sena
(responsável pela área de
História e Relações Internacionais
da Mediateca)

Mais um Polar, forma popular francesa de nomear o romance policial, chega à Mediateca da Maison de France. Trata-se do livro Meurtres au Potager du Roy, da escritora e historiadora Michèle Barrière. O livro, uma adorável mistura história e gastronômica, leva o leitor para o ano de 1683, mais precisamente para os jardins do Castelo de Versalhes.
Nas terras de Luis XIV encontram-se de tudo: aspargos, ervilhas, melões… e jardineiros assassinados. A autora aproveita a trama para revelar a revolução culinária francesa em curso na época: as misturas doces e salgadas são abandonadas e as hortaliças substituem as especiarias; a manteiga e o creme aparecem nos molhos, o consumo de frutas e legumes é a última moda. No fim do livro a autora ainda nos brinda com algumas receitas de dar água na boca. Imperdível para quem gosta de um bom relato histórico mas a desejar aos amantes da pura e boa investigação criminal.
Alessandra Santos
(responsável pela área de Romance -
policial e ficção científica – da Mediateca)

Chega a Mediateca da Maison de France a obra Quelle Géopolitique au XXIe siècle, do geógrafo e pesquisador na área de Relações Internacionais da Universidade Montesquieu de Bordeaux, Gérard Dussouy. Esta obra sintetisa as interações entre fatores demográficos, econômico-financeiros e estratégico-militares na composição do sistema internacional contemporâneo. Através de uma análise multidisciplinar, Dussouy aborda temas da ordem do dia como terrorismo, choques culturais, violência e fundamentalismo religioso, formulando uma questão central em seu trabalho: “essas questões seriam por si mesmas capazes de mergulhar o mundo em uma dinâmica caótica apesar de toda a construção pregressa, feita pela ordem jurídica internacional?” Com uma redação impecável, Quelle Géopolitique au XXIe siècle é uma leitura fundamental para os que desejam antenar-se ao vasto campo das questões internacionais contemporâneas afim de compreender os principais elementos da agenda mundial no presente.
André Sena
(responsável pela área de
História e Relações Internacionais
da Mediateca)

No ano de 2009 foi lançado no Brasil a obra de Bertrand Badie “Le Diplomate et l’intrus”, sob o título em língua portuguesa “O Diplomata e o intruso. A entrada da sociedade na arena internacional.” Tendo ampla experiência acadêmica no campo da Ciência Política, Bertrand Badie, do Institut d’Etudes Politiques de Paris, demonstra como as categorias tradicionais de ação internacional evoluíram nos últimos anos, com especial ênfase na diplomacia. Em fato, nenhuma delas foi abolida, mas nenhuma delas pode ser considerada eficaz ou suficiente. A diplomacia, último refúgio da razão do Estado, é confrontada a uma demanda social crescente por maior participação nas questões de política externa. Deste modo, a diversificação dos atores na política internacional conduz a uma grande reflexão sobre o futuro da diplomacia e, principalmente, sobre o futuro do multilateralismo. O livro é apenas aparentemente feito para especialistas. O grande público que possuir alguma curiosidade sobre questões da diplomacia e da política internacional encontrarão nesta obra uma importante referência bibliográfica. A obra fez parte das comemorações do Ano da França no Brasil e encontra-se disponível para seus leitores na Mediateca da Maison de France.
André Sena
(responsável pela área de
História e Relações Internacionais
da Mediateca)