Em 2009, para comemorar o Ano da França no Brasil, foi criada a Coleção França.Br, carimbo que ilustrou as capas de todos os livros oficialmente chancelados pelo Programa de Apoio à Publicação (PAP) Carlos Drummond de Andrade da Embaixada da França.
Aqui você poderá encontrar todos os livros traduzidos no Brasil que receberam apoio a partir de 2009.
Esta coletânea é o resultado das escolhas feitas por editores franceses assim como por editores e universitários brasileiros.
Para saber como concorrer ao PAP, inscreva-se na área profissional do site (acesso gratuito).
Para dúvidas e outras informações, entre em contato com o Escritório do Livro da Embaixada da França no Brasil.

A organização deste livro, constituído por diversos escritos, foi interrompido pela morte do autor em janeiro de 1865. Pouco depois, um grupo de seis amigos de Proudhon reuniu os textos que faltavam para completá-lo e publicou o conjunto sob o título Do princípio da arte e de sua destinação social.
Nossa tradução brasileira é fiel à primeira edição, e inclui as explicações dos responsáveis por ela, expostas na Advertência ao leitor.
Neste livro, o leitor encontra reflexões aprofundadas sobre o conceito de arte, a sua utilidade, se ela é um elemento de civilização ou decadência, sobre a faculdade estética do homem, sobre o sentimento de beleza que age em favor na natureza e outras questões próprias de um ensaio.
Nesse sentido, todas as modalidades artísticas são englobadas por Proudhon. O leitor, com o livro, ainda terá a oportunidade de ver as constatações das diferentes formas de se pensar a obra de arte nos diferentes períodos (Idade Média, Renascimento, Reforma, Rev. Francesa, primeira metade do século XIX), além de um estudo crítico de David, Delacroix, Ingres, David de Angers e Rude, Léopold Robert, Horace Vernet, Chenavard e um exame minucioso de alguns quadros de Coubet.
Como se não bastasse, o autor ainda encontra espaço para dar conselhos e falar da afirmação da escola crítica.
Na mesma obra, há uma análise crítica de Émile Zola sobre a obra e o contexto de ensaios produzidos por Proudhon, além de uma discussão sobre a serventia da arte, pela qual Proudhon insistia em passar.

O autor não se propõe a entender como os conceitos freudianos se aplicam à interpretação de obras literárias e artísticas. Ao contrário, ele procura demonstrar como as formulações de Freud estão em estreita relação com os movimentos da arte ocorridos sobretudo a partir do romantismo, explorando as tensões entre a lógica do inconsciente freudiano e uma outra lógica, a do inconsciente estético.

Löwy é um pensador marxista brasileiro radicado na França, onde trabalha como diretor de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique. É um relevante estudioso do marxismo, com pesquisas sobre as obras de Karl Marx, Leon Trótski, Rosa Luxemburgo, Georg Lukács, Lucien Goldmann e Walter Benjamin.
Em seu livro, Revoluções, estão reunidos os principais registros fotográficos dos processos revolucionários do final do século XIX até a segunda metade do século XX.
A obra resgata, assim, a trajetória daqueles que viveram movimentos contra hegemônicos e de inspiração igualitária, aliando rostos de anônimos que protagonizaram as lutas de classe a registros de dirigentes eternizados pela história, como Vladimir Lenin, Felix Dzerjinski, Leon Trotski, Béla Kun, Emiliano Zapata, Pancho Villa, Che Guevara e Fidel Castro.
A edição brasileira conta ainda, com um apêndice exclusivo, no qual Löwy faz uma reflexão sobre os momentos de resistência que marcaram a história do Brasil.

Michèle Petit é antropóloga e pesquisadora do Laboratório de Dinâmicas Sociais e Recomposição dos Espaços, do Centre National de la Recherche Scientifique, na França.
Possui obras traduzidas em vários países europeus e latino-americanos.
Em seu novo trabalho, a autora reune experiências de diferentes tipos de leitores em contextos adversos, especialmente em países da América Latina, entre eles o Brasil.
Neste livro a antropóloga francesa amplia os temas e aprofunda as análises de sua outra obra, Os jovens e a leitura, publicada em 2008 pela Editora 34.
A autora investiga as diferentes maneiras pelas quais a forma narrativa pode atuar como educadora, ao mesmo tempo em que se afirma como um poderoso instrumento de resistência ao caos interior e à exclusão social.

Quem sabe hoje em dia do que é feita a realidade contemporânea da ficção na França?
Quem sabe esquecer um instante as horas gloriosas da História literária desse país para se concentrar verdadeiramente no quê, nesta hora em que redigimos estas poucas linhas, é produzido em termos de narrativa?
Poucos são os que saberiam dar uma visão fiel deste assunto, de tal modo ele é florescente, variado, incoerente e de tal modo ele sofre para se manifestar ruidosamente sob o ângulo crítico, a se “definir” urbi et orbi.
Todo o projeto desta breve antologia, forçosamente parcial, forçosamente tendenciosa, é para tentar desenhar um panorama da produção contemporânea acontecendo na França, através de algumas obras significativas, através das biografias de alguns de seus autores, através da definição de uma paisagem editorial.
Por ocasião do Ano da França no Brasil, os idealizadores desta obra tentaram em suma um desvelamento que eles sabem incompleto, mas julgam muito útil.

O Dicionário Crítico do Feminismo reúne uma coletânea de rubricas redigidas por especialistas em cada uma das temáticas abordadas. Visa estimular a reflexão sobre a construção social da hierarquia entre os sexos e desenvolver um pensamento crítico feminista que favoreça a emancipação das mulheres e a igualdade na diferença.
Esta publicação traz um repertório de conceitos estabelecidos pelas teorias feministas para abordar as questões de gênero, apontando como alguns paradigmas das Ciências Sociais estão fundamentados na dominação masculina. Nesse aspecto, possibilita a ampliação do debate interdisciplinar e pluralista do feminismo crítico contemporâneo.
Este dicionário mostra como o mundo é marcado pela dominação das mulheres pelos homens num processo que, ao longo dos séculos, tem se transformado e assumido novas formas, sustentadas e fortalecidas não só por códigos sociais estabelecidos há décadas e impostos desde a infância, mas também por algumas políticas públicas (sociais, familiares e de emprego).

O filósofo alemão Peter Sloterdijk desenvolve neste livro uma série de reflexões feitas a partir da morte de Derrida. Mais do que uma simples homenagem, trata-se de lançar um olhar entre o modesto e o extremamente ambicioso sobre uma obra de cerca de oitenta volumes. Em vez de monumentalizar o conjunto dos textos de Derrida, tenta-se revê-lo com o recurso da pirâmide e de seu significado na civilização egípcia, além de expor o modo como se deu o advento do monoteísmo. Afirma o autor: “[...] já se pode ter desenhado o contorno principal de um retrato filosófico de Derrida: sua trajetória se definiu pelo cuidado vigilante de não se deixar fixar numa identidade determinada — cuidado este afirmado tanto quanto a convicção do autor de que seu lugar só podia se situar na linha de frente mais avançada da visibilidade intelectual.”
A hipótese de Sloterdijk propõe que o pensamento derridiano corresponderia a um tempo em que os autores, em vez de tratar diretamente dos assuntos, preferem comentar outros pensadores que já abordaram os mesmos temas. Viveríamos então, numa época de leituras de segunda ordem, o que colocaria necessariamente Sloterdijk — leitor das leituras de Derrida — em uma posição de terceira ordem. Se assim for, talvez se torne necessário, diante do arguto e irônico ensaio que ora se publica, indagar se, desde os egípcios, e em seguida com os gregos, judeus, romanos e cristãos, os autores e as civilizações não estiveram sempre, de algum modo, propondo reflexões de segunda, terceira e quarta ordens — ao infinito.
(Evando Nascimento)

Percorrer, através de uma seleção de textos, os dois últimos séculos da produção literária francófona da Bélgica, eis o desafio ao qual se propõe este volume.
Esta obra mergulha o leitor na extraordinária proliferação de uma literatura que começa antes mesmo de 1830. Uma literatura que oscila, constantemente, entre real e surreal, considerando-se que suas relações com a história, com a língua, com a forma e com o mito, são tecidas através de sutis descompassos, patentes ou escondidos, com os modelos franceses.

Neste livro, O Futuro da Francofonia, Dominique Wolton reflete sobre o devir de uma língua falada por milhões de pessoas em todo o mundo e marcada pela produção de incontáveis obras de arte de primeira grandeza. Não se trata, como podem pensar os mais afoitos, de uma defesa patriótica de uma língua, mas da universalização de um princípio: a diversidade linguística como patrimônio inatacável. Todo país deve lutar para preservar sua identidade, sua cultura, sua história, sua língua. Nesta época de globalização, sob a pressão das potências econômicas, muitos países sentem a tentação de abrir mão do que lhes é mais caro em nome de uma suposta facilidade.
A globalização, contudo, não pode significar homogeneização ou neocolonialismo. Ela precisa ser redimensionada em favor da diversidade cultural e pela diversidade cultural. Globalizar deve encurtar distância e estabelecer pontes, mas não empobrecer o repertório universal. Este livro de Dominique Wolton, ao falar do futuro da francofonia, aborda uma gama enorme de problemas, a começar pelo sentido da globalização. Afinal, precisamos de mais poliglotas ou de uma cultura dominada por uma única língua? A francofonia, assim como a lusofonia, pode, e deve, ser vista como resistência à uniformização? Ser moderno pode ser não ter medo de lutar em favor do que a ideologia hegemônica tenta rotular como anacrônico.

Aquilo que habitualmente é catalogado como “crítica literária” pode ser dividido em dois grandes grupos: de um lado, as tentativas de teorias efetivamente científicas da literatura, que discutem e classificam as obras segundo sua natureza; de outro, textos talvez mais impressionistas, em que muitas vezes as obras são pretextos para se falar de assuntos relacionados. O primeiro grupo costuma ficar restrito à academia; o segundo circula entre o grande público, e pode ter um grande valor para a formação, não apenas intelectual, mas também de caráter.
A obra de René Girard estabelece essa curiosa interseção. É científica na medida em que oferece um critério objetivo para a divisão das obras literárias em românticas ou romanescas. O modelo do desejo mimético – neste primeiro livro mais frequentemente chamado desejo triangular – também pode ser aplicado às relações de praticamente quaisquer personagens, à relação entre autor e leitor, entre autor e narrador, entre autor e autores, entre o autor e o desenvolvimento de sua obra, etc. Mas a obra de Girard, fazendo teoria da literatura, mostra que a literatura é uma tentativa de teorizar o desejo. Se a ciência explica a literatura, a literatura explica a vida. Aquelas impressões e intuições esparsas que norteavam a formação do caráter como faróis na noite escura são como que unificadas numa única grande luz.

Com a globalização, ei-nos projetados para o “pós-cidade”, para o “pós-urbano”. Na Europa, estávamos habituados a ver a cidade como um espaço circunscrito no qual se desenvolve uma vida cultural, social, política, tornando possível uma integração cívica dos indivíduos.. Somos agora confrontados de um lado com metrópoles gigantescas e sem limites, e de outro com o surgimento de entidades globais, em rede, cortadas de seu ambiente.
A reconfiguração que ora ocorre suscita inquietação: iremos assistir ao declínio irremediável dos valores urbanos que acompanharam a história ocidental? Prevalecerão inelutavelmente a fragmentação e o estiramento caótico? Estaremos condenados a lamentar a polis grega, a cidade do Renascimento, a Paris das Luzes, as grandes cidades industriais do século XIX?
Relembrando os elementos distintivos da urbe, Olivier Mongin assenta os fundamentos de um reflexão atual sobre a condição urbana. Vivemos numa época na qual a informação se troca de forma imaterial, mas de acordo com os fluxos do que com os lugares; como, nessas condições, refundar e reformular espaços urbanos de acordo com o nosso tempo?

A democracia reina, sem reservas, absoluta. Dominou seus velhos inimigos, do lado da reação e do lado da revolução. Pode ser, no entanto, que ela tenha encontrado seu adversário mais perigoso: ela mesma.
Este livro reúne textos escritos ao longo de vinte anos que examinam sob diferentes faces essa prodigiosa mudança. Vimos a democracia não apenas triunfar e avançar de maneira decisiva, mas voltar às suas origens ao pôr novamente em foco os direitos do homem e se remodelar com base naquela escola. Exceto que, por um retorno ainda mais inesperado, essa retomada dos primeiros princípios conduziu, na verdade, a solapar suas próprias bases. Ela se desfaz ao progredir.
É essa dificuldade que Marcel Gauchet explora, da política à psicologia, passando pela educação. “Nada fracassa com o sucesso”, observou Chesterton. A democracia sobreviverá a seu triunfo?

Desde o primeiro relato de suas aventuras eróticas em A vida sexual de Catherine M. – que vendeu mais de dois milhões de exemplares e foi traduzido para mais de quarenta líguas -, Catherine Millet não deixa de surpreender o público com minúncias de sua trajetória de desejo sem freio, contadas com estilo sóbrio e elegante. A outra vida de Catherine M. revela as armadilhas do casamento aberto e um elenco infinito de amantes e ousadias, além de um ingrediente inesperado: o doloroso e incontrolável ciúime que sentiu por um único parceiro.

“A guerra mudou a tal ponto de aspecto que é preciso admitir que o que foi pensado sob seu nome durante séculos praticamento desapareceu. Ser-me-ão objetados evidentemente os atentados terroristas de Nova York, Madri, Londres, a situação ‘explosiva’ no Cáucaso ou no Oriente Médio, ou ainda alguns países da África ou da América do Sul, dilacerados por intermináveis conflitos internos, etc. Contudo, eu jamais quis dizer, ao escrever ‘a guerra não existe mais’ que a humanidade enfim entrou na paz perpétua.
Depois da queda do muro de Berlim, acreditou-se que começava o fim da História. Com a derrocada do comunismo, todas as nações iriam se abrir ao liberalismo democrático; suas relações seriam reguladas por um amável comércio, com doces leis de câmbio e um quadro jurídico reconhecido por todos. Foi outra coisa que se produziu: o fim da guerra e o florescimento dos estados de violência. O fim da guerra não significa com efeito o fim das violências, mas sua redistribuição em configurações inéditas, cujos grandes princípios traçaremos em fim de percurso. O fim da guerra não significa sobretudo a paz, porque não é possível pensar a paz fora do horizonte da guerra.”

Vivemos em um mundo dominado por fronteiras. Tendo como pano de fundo a filosofia política de Kant, para quem um cidadão é alguém que se sente pertencente à uma comunidade política nacional delimitada por “marcas” e “limites”, tanto no tempo quanto no espaço, Michel Foucher analisa em Obsessão por fronteiras o funcionamento do mundo “globalizado” e sua suposta ausência de barreiras.
Ao contrário daqueles para quem o mundo é um gigantesco mercado – mundo em que as fronteiras são um obstáculo desnecessário e um custo adicional para a circulação de bens e serviços -, Foucher encara o desafio de pensar os impactos sociais, políticos e econômicos das constantes divisões teritoriais ocorrendo em nosso tempo.