Ciências Humanas

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terça, 05/11/2013, 19:00h

Zona das Imagens: Marie-José Mondzain

Marie-Jose Mondzain

A ZONA DAS IMAGENS
curso com Marie-José Mondzain

Num mundo onde os atentados mais violentos à liberdade passam pelas indústrias de comunicação e informação, como é possível libertar as forças revolucionárias da imagem? Como resistir aos dispositivos de programação que funcionam para fazer ver e fazer crer? Como “zonear” essa complexa economia do visível e do invisível que tem sustentado a estratégia política da gestão das emoções? Como pensar a imagem em sua potência de rebelião, nessa zona de indeterminação que dá a todos, sem distinção, a força possível de transformar o mundo? A partir dessas questões, este curso com Marie-José Mondzain se propõe a pensar operações imagéticas capazes de desgovernar as imagens e liberá-las dos poderes iconocráticos do presente.

05/11 – Uma homenagem política ao carnaval*

Será que o carnaval é mesmo uma continuidade festiva organizada pela ordem e por todos os dispositivos de poder com o objetivo de concentrar as energias rebeldes para eliminá-las do porvir? Ou, ao contrário, seria ele a reserva sempre disponível de forças de resistência e de criação que possibilitariam pensar a transformação ou até a revolução? A potência carnavalesca não é apenas um baile de máscaras irresponsável e transgressor, ela habita a história da arte, da literatura e da filosofia. Talvez seja necessário, mais do que nunca, reencontrar a força do carnaval, que dá seu espaço e seu tempo para a aparição do povo e para a liberdade do pensamento, sem os quais nenhuma transformação é possível.

* Seguida de lançamento do livro “Imagem, Ícone, Economia”.

06/11 – Onde estão as imagens? Uma questão de zona

Num mundo onde as indústrias da comunicação procuram se apropriar do monopólio das operações imagéticas para encenar o espetáculo planetário e garantir sua dominação “feiticeira” de todos os corpos desejantes e falantes, um primeiro nível de análise crítica visa a nosso desencantamento a fim de levar à emancipação. Guy Debord, por exemplo, pensava que era necessário acabar com as imagens. Mas não seria melhor, em vez disso, restaurar a soberania plena das operações imagéticas na sua turbulenta indeterminação e na sua energia carnavalesca? E se as imagens ocupassem uma zona rebelde a qualquer ocupação, onde a imprecisão de identidades, gêneros e figuras de ordem pudesse abrir, ao contrário, o território potente e criativo de todos os possíveis?

07/11 – Representar o povo? Uma questão de zona e de idiotas?*

Fazer ver o povo? Representá-lo? Isso é mesmo possível? Ninguém jamais viu o povo. E essa sua invisibilidade — que o torna infigurável, irrepresentável — é precisamente aquilo que vai encontrar forma, figurabilidade e voz nos corpos filmados pelos cineastas. Mas não por qualquer um, apenas por aqueles cujo olhar acolhe, paradoxalmente, as singularidades mais irredutíveis. Isto quer dizer que o povo só pode se encarnar no cinema se o gesto cinematográfico lhe substrai de toda generalização, de toda figura numérica, da multidão ou da massa, para fazer surgir no sensível a potência universal das partículas mais individuadas, na sua distinção insubstituível. Nem que sejam elas, em aparência, as mais insignificantes e às mais devotadas ao silêncio e à desaparição. A figura do “Idiota” tem uma história, e essa história é política.

* seguida da apresentação do filme documentário “Sobre las brasas“, de Mary Jimenez e Bénédict Liénard (2013; 85 min) http://vimeo.com/71759794

Marie-José Mondzain estará em Recife o dia 11 de novembro e em Fortaleza o dia 13 de novembro 2013 para o lançamento oficial do livro “as fontes bizantinas do imaginário contemporâneo”, publicado pela editora Contraponto e uma turnê de palestras e intervenções.

Marie-José Mondzain é filósofa e escritora. Diretora de pesquisa no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), sua obra é baseada numa filosofia das imagens que abrange diferentes campos da visualidade, como o cinema, a pintura, a fotografia, o teatro, e suas relações com a estética e a política. É autora de vários livros, entre eles L’image peut-elle tuer? (Bayard, 2002), Le Commerce des regards (Seuil, 2003), Homo spectator (Bayard, 2007) e De la Poursuite au cinéma et ailleurs (Bayard, 2011), O que você vê? (Autêntica, 2012), e Imagem, Ícone, Economia: as fontes bizantinas do imaginário contemporâneo (Contraponto, 2013).

Curso com tradução simultânea e certificado para 75% de participação.

Data e horário:
05, 06, 07/2013, das 19h30 às 22h.

Local:
Auditório do Museu de Arte do Rio – MAR

INSCRIÇÕES:
http://www.museudeartedorio.org.br/pt-br/evento/curso-a-zona-das-imagens

Realização:

Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAV/UFRJ)
Museu de Arte do Rio (MAR)

Apoio:
Embaixada da França no Brasil
Editora Contraponto https://www.facebook.com/livroscontraponto

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